Longe vão os tempos em que as aldeias fervilhavam de vida. As casas estavam cheias de gente que trabalhava nos campos, alegre, pois não conheciam outro modo de vida e os seus desejos de ambição resumiam-se às colheitas fartas que assim afastavam o espectro da fome. Mas havia fome, muita fome! Estou a falar de um tempo antigo, do qual ouvia histórias de sardinhas divididas por três. De côdeas de broa untadas com banha a servir de manteiga. De castanhas piladas cozidas quando as batatas já se haviam acabado e de refeições em que a malga ou bacia era só uma, já rachada e consertada com gatos nas costas e se colocava no meio da mesa (quando havia mesa e no caso de não haver, de roda do bordo da fogueira, ao borralho), onde a família comia em silêncio depois de dar graças ao divino por mais aquela refeição... O silêncio da refeição não se devia ao não terem que dizer, mas sim ao tempo que perderiam se ocupassem a boca com palavras em vez de mastigar o quinhão que lhes cabia. As batatas eram cozidas com a pele por via de não desperdiçar nada. A broa, muitas das vezes, mesmo dura, era o único conduto que havia.
As crianças pequenas (canalha, como lhes chamavam) eram deixadas na rua todo o dia, entregues a elas próprias e aos irmãos do meio, enquanto os pais e os irmãos mais velhos cuidavam do renovo e das colheitas nas fazendas onde estavam as quelhadas que possuíam. Algumas bem longe das casas do povo, sendo que seriam precisas uma ou duas horas de caminho, conforme a lonjura. Outros iam tratar de guardar as ovelhas na serra, enfrentando frio e lobos que nesses tempos por ali havia com fartura.
Certa vez, contava o meu pai, numa tarde em que a fome começava a apertar e sem lhes terem deixado nada a que deitar o dente, convenceu o Silvano, seu amigo de brincadeiras, a escalar a parede do velho casebre onde este morava, porque se sabia, estar pendurado na trave o cesto das sardinhas em salmoura, trazidas na véspera do mercado de Côja. Haveriam de durar quinze dias, não fossem eles lá pesca-las e tratarem de as assar nas brasas da fogueira.
Em 2023, escrevia a letra para o “Hino da Confraria”, entretanto tentou que alguém conseguisse fazer a letra para o mesmo, hoje, apresentamos finalmente o “Hino” completo, com a música feita pelo Irmão Missionário Artur Pinto, o qual agradeço, um amigo que se disponibilizou a fazer a mesma para a nossa “Confraria”.
Fica assim aqui a letra final, e a música, a qual é interpretada pelo Irmão Missionário Artur Pinto, esperando que seja do vosso agrado.
“O Fado da Confraria”
Há confraria em Salvador
Onde o bacalhau é rei
Mostrar aldeia com louvor
Como confrade que serei
Ser Confrade é um prazer
Salvadorense uma paixão
Com a Confraria a ter
Salvador no coração
Nesta Confraria de Salvador
Segunda-feira depois da festa
Faça chuva ou calor
Há sempre tempo para esta
Divulgar a aldeia com rigor
Será uma tradição para manter
Amigos do bacalhau de Salvador
A Confraria o irá fazer
Letra: José Morais
Música: Irmão Missionário Artur Pinto
Os tradicionais festejos anuais na aldeia de Salvador/Penamacor, vão pela primeira vez desde que se realizam, sofrer alterações, com uma tradição de mais de 100 anos, onde os festejos em Honra de Santa Sofia, eram sempre realizados no primeiro fim de semana de setembro, tanto a parte civil, como a parte religiosa.
Este ano será diferente, com a organização a antecipar a parte civil numa semana, sendo nos dias 28, 29, 30 e 31 de agosto, com esta alteração, os festejos não se vão chamar de “Festas em Honra de Santa Sofia”, mas sim “Festas de Verão”, por sua vez, a parte religiosa será denominada de “Festa Religiosa em Honra de Santa Sofia”.
A aldeia beirã de Salvador, pertencendo ao concelho de Penamacor do distrito de Castelo Branco, é uma das aldeias portuguesas que tem a honra de possuir uma “Capela de Nossa Senhora de Fátima”, e o onde os seus habitantes, e devotos, continuam a manter a tradição da celebração do 13 de Maio.
Salvador, mais um ano cumpriu a tradição, e celebrou o 13 de Maio “Nossa Senhora de Fátima”, com alguns Salvadorenses a preparar a celebração, onde embelezaram algumas ruas da aldeia, para receber a procissão e todos os seus participantes, com a organização a ser feita pela igreja.
A tradição iniciou-se na segunda-feira dia 12 pelas nove horas, junto à Capela da Senhora de Fátima, com o retira a Santa da Capela, seguiu.se algumas orações, que foram presididas pelo Padre Rui Miguel, a procissão foi efetuada pelas ruas da aldeia de Salvador, que terminou na igreja Matriz da aldeia, onde foi colocado o andor da Senhora de Fátima, e onde se rezou mais uma vez.
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